O mito do “novo ano, novo eu” (e o que as mulheres realmente precisam)

O mito do “novo ano, novo eu” (e o que as mulheres realmente precisam)

O início do ano e a promessa de mudança

Todos os anos, janeiro chega com uma promessa implícita:

a de que agora é o momento de mudar tudo.

Ser mais disciplinada.

Mais confiante.

Mais produtiva.

Mais organizada.

Mais forte.

A ideia do “novo ano, novo eu” parece inspiradora à primeira vista, mas para muitas mulheres transforma-se rapidamente numa fonte de culpa silenciosa.

Como psicóloga clínica, vejo isto repetidamente: mulheres sensíveis, responsáveis e exigentes consigo mesmas a entrarem no novo ano já cansadas — e a sentirem que falham logo nos primeiros dias.

Não porque não querem mudar.

Mas porque estão exaustas de se exigirem.

Porque o mito do “novo eu” falha tantas mulheres

Este mito parte de uma ideia profundamente injusta:

a de que o problema és tu — como és agora.

Que precisas de te corrigir.

De te reinventar.

De deixar para trás quem foste.

Mas a maioria das mulheres que acompanho não está “mal construída”.

Está sobrecarregada.

Carregou responsabilidades cedo demais.

Aprendeu a ser forte antes de ser cuidada.

Confundiu exigência com valor.

E janeiro, em vez de acolher, vem apertar ainda mais.

O custo psicológico da reinvenção constante

A pressão para seres sempre uma versão melhor de ti tem um custo emocional elevado:

  • aumenta a autocrítica
  • reforça a sensação de insuficiência
  • alimenta o medo de falhar
  • cria afastamento interno

Quando a mudança nasce da dureza, o resultado raramente é crescimento.

É afastamento de ti mesma.

Talvez não precises de um “novo eu”

Talvez não precises de apagar quem foste.

Nem de começar do zero.

Nem de prometer coisas que não respeitam o teu momento de vida.

Talvez precises de algo mais simples — e mais profundo:

👉 uma relação diferente contigo.

Uma relação onde:

  • não te abandonas quando erras
  • não te atacas quando estás cansada
  • não te envergonhas por sentir demais

Autoestima real não é criar uma versão ideal de ti.

É aprender a ficar contigo — mesmo quando não és perfeita.

Janeiro pode ser um mês de escuta, não de pressão

E se janeiro não fosse um mês de decisões forçadas, mas de observação?

Um mês para escutar o corpo.

Para perceber onde estás a exigir demais.

Para reconhecer o que ainda dói.

Não para desistires de crescer —

mas para cresceres sem violência interna.

O convite da Serena & Forte

Na Serena & Forte, trabalhamos autoestima a partir daqui:

da relação contigo, não da tua correção.

Este não é um espaço para mulheres que querem “transformar-se” à força.

É para mulheres que querem aprender a tratar-se melhor.

🌿

Serena por dentro. Forte na vida.

Se este texto ressoou contigo, fica por aqui.

Seguimos juntas, ao teu ritmo.

 

Com carinho,

Cláudia Grade

Psicóloga Clínica e Fundadora da Serena & Forte

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